segunda-feira, 21 de março de 2016

DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA

Pessoal, estou deixando aqui no blog o vídeo de divulgação da peça teatral "Doze homens e uma sentença".
Pra você que foi ao Teatro Aliança Francesa será ótimo relembrar bons momentos e permitir que seu cérebro produza uma bela reflexão sobre o que assistiu.
Pra você que ainda não viu a peça, assista o vídeo por curiosidade, e se surgir um gota de arrependimento por não ter ido ao teatro, saiba que ainda é tempo. A peça fica em cartaz por mais uma semana.


FICHA TÉCNICA
Direção: Eduardo Tolentino l Produção: Ana Paz l Fotos: Anderson Capuano
Elenco: Adriano Bedin,  Augusto Cesar, Brian Penido, Bruno Barchesi, Fernando Medeiros, Gustavo Trestini, Ivo Muller, Manolo Rodrigues, Norival Rizzo, Rafael Golombek, Ricardo Dantas, Rodolfo Freitas e Zécarlos Machado

De 18/02 a 27/03
Quinta, sexta e sábado 20h30 l Domingo 19h

Duração:
100 min

Ingressos: R$ 50,00 / R$ 25,00 (meia)
Bilheteria: aberta 2h antes do início do espetáculo.
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: (11) 3017-5699 r. 5602
Teatro Aliança Francesa - Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque. 
Estacionamento conveniado em frente ou na Rua Rego Freitas 161.

DREAMS OF ISAAC

12 de maio de 1687
            Imagine um mundo onde a vis insita é uma ação inata da mente humana. De duas uma: ou vive-se em uma sociedade que possui o poderio de resistência a possibilidades de mudanças ou vive-se em uma sociedade conformada com suas tradições e dogmas de alienação.
            Neste mundo, a estrutura hierárquica, comandada pelas esferas políticas estabelecidas, é conhecida por todas as pessoas desde o momento em que nascem. Todos crescem, envelhecem e morrem sem verificar quaisquer mudanças sociais, pois tudo o que é sempre foi e será do mesmo jeito. Dessa forma, crianças são reprodutoras das funções sociais dos pais, não podendo de modo algum voar em alturas mais elevadas do que seus antepassados, e o sonho de ascender socialmente inexiste dentro da alma humana. Todos nascem destinados à sua sorte ou angústia de ser do jeito que já se foi e que continuará a ser.
            O direito de escolha é uma teoria da loucura humana e o livre arbítrio instituído por Deus ao homem não é descrito nas páginas do livro sagrado. Neste mundo marcado por castas e carmas as únicas opções do homem são não possuí-las, e dizer sim ou não está associado à eternidade de eventos que dispõem da mesma resposta dada anteriormente. Perguntas, dúvidas e hipóteses são palavras com significados ausentes na mente humana e a ciência não é uma verdade que se transforma, mas sim um conhecimento inquestionável instituído pela tradição que não teve início e nem terá fim.
Pensar e refletir neste mundo, mais do que um ato de loucura é um ato de fé e esperança de que as coisas podem deixar de ser da forma que são. As pessoas loucas deste mundo privam-se da dádiva de tornarem-se pais, para não deixar que sua descendência seja reprodutora de um modelo social que as fazem sofrer, e com fé acreditam que o ciclo reprodutivo se rompa em um futuro que jamais chegarão a conhecer.
Neste mundo, revoluções são inexistentes e a sociedade atua como uma resistência aos desejos secretos dos loucos homens que clamam por alterações, e como um impulso na medida que reprime a loucura humana com imposições ditatoriais, faz-lhes refletir se é conveniente pensar, e consequentemente existir.

sábado, 19 de março de 2016

TEMPO DE PENSAR

Estava a ler o livro do pregador em seu capítulo terceiro e percebi que em sua filosofia havia um tempo determinado para todas as coisas, quer sejam boas ou más, e que todas essas coisas aconteciam sob a permissão de Deus.
Segundo Salomão havia tempos para:
Plantar, colher; chorar, rir;
Edificar, derribar; amar, odiar;
Nascer, morrer; prantear, dançar;
Separar-se do abraço, abraçar;
Achar, perder; guardar, jogar fora;
Rasgar, costurar; falar, ficar calado;
Em tempos de guerra e/ou tempos de paz, viver.
A felicidade segundo o pregador consistiria na alegria do homem ao colher o fruto de seu trabalho e viver procurando o seu bem-estar.  Porém, não há, segundo Salomão, como escapar da temporalidade de nossa existência, necessário é vivenciar bons e maus momentos periodicamente.
Por um instante refleti sobre o atual momento da política brasileira e, sobre as relações amigáveis em redes sociais que se digladiam em um maniqueísmo partidário sem perspectivas de uma dialética que solucione os problemas de nossa nação, quer sejam políticos, sociais, econômicos, ou ainda, muitos outros.
Enquanto ainda refletia, alguém postou:
- Coxinha!
Logo foi refutado:
-Petralha do c...!
E assim, dessa forma tem sido discutida a nossa política, com frases prontas de meia dúzia de fontes, compartilhadas em pacotes carregados de autoritarismo, ódio, ofensas, preconceitos e contradições.
(...)
Confesso que para escrever este simples texto, tenho utilizado cautela em demasia, tentando equilibrar-me na tênue linha da imparcialidade, pois não desejo que abandones sua leitura antes do término. E, afinal, não quero ser bloqueado por divergir de sua opinião.
Todavia isso não significa que eu seja imparcial. De modo algum, procuro sempre ter minha opinião em um processo construtivo, uma vez que ao dialogar com opiniões distintas das que professo ter, ajuda a construir um pensamento mais próximo da verdade.
(...)
Mas o que fazer quando não se consegue dialogar?
Pensar.
O que fazer em tempos de ódio, medo, vingança, desespero, rancor?
Pensar.
Questionei-me por um instante se para o pregador não era necessário tempo para pensar e refleti que na temporalidade dessa nossa existência pensar sempre é preciso.
Pense antes de dialogar. 
Dialogue para pensar melhor.
Pense nisso.